sábado, 29 de maio de 2010
Algum mal nisso?
Segundo as diretrizes da BBC (British Broadcasting Corporation [estação de rádio e televisão oficial inglesa]), produtores de TV devem considerar criteriosamente os efeitos de qualquer violência que seus programas apresentem, incluindo desenhos animados. A postura oficial da estação é: “A empolgação emocional que resulta da violência aumenta à medida que o telespectador se identifica com a situação.”
Os desenhos animados, por natureza, apresentam situações fantasiosas. Assim, será que o perigo é mínimo? É óbvio que a maioria das crianças que assistem avidamente a desenhos animados na TV faz isso para se divertir. Desenhos animados divertem mesmo! Mas podem fazer mais do que isso? É claro que sim, já que qualquer desenho animado pode causar uma impressão duradoura. O Dr. Gregory Stores, da Universidade de Oxford, disse à revista TV Times, um guia de programação de TV, que os desenhos animados a que as crianças assistem são uma das fontes dos “monstros, fantasmas ou animais selvagens” que povoam os pesadelos delas.
Similarmente, o estudo Screen Violence and Film Censorship (Violência na Tela e Censura de Filmes), do governo britânico, reconhece que as pessoas com quem a criança assiste a um filme influem no efeito que o filme tem sobre ela. Por isso, o perigo para as crianças pode estar em assistir a desenhos animados sem supervisão.
O mesmo relatório diz que crianças em idade pré-escolar imitam prontamente ações violentas que vêem na tela e que, com “algum tipo de ‘empurrão’ emocional”, crianças de mais idade (de uns cinco ou seis anos) reproduzem atos agressivos que aprendem.
Conseqüentemente, profissionais de televisão admitem a possibilidade de que assistir a apresentações de violência na TV pode ter, com o tempo, “um efeito insensibilizador ou trivializante sobretudo em crianças”, de qualquer idade. Isso pode torná-las menos sensíveis no que diz respeito a elas mesmas recorrerem à violência ou pode torná-las indiferentes quando os outros são alvo de violência.
Pode ser que o viciado no “Coelho Pernalonga” ou no “Tom e Jerry”, que talvez tenha visto esses personagens pela primeira vez anos atrás no cinema, seja agora pai ou mãe e possa, com o simples toque de um botão, assistir na TV às aventuras modernas deles. Mas os padrões mudaram. Pensando nos filhos, os pais certamente procurarão examinar o que os desenhos animados mostram hoje.
Veja o caso das “Tartarugas Ninjas”, chamadas nos Estados Unidos de “Teenage Mutant Ninja Turtles”. Esses personagens de um filme americano foram considerados violentos demais para muitas platéias européias. Por isso, antes de exibir na Grã-Bretanha os desenhos animados baseados no filme, a BBC cortou algumas cenas. Chegou até a eliminar a palavra “Ninja”, por se referir a guerreiros japoneses. E as chamou de “Teenage Mutant Hero Turtles”.
Mesmo assim houve pais que expressaram certo desassossego. Uma mãe disse ao jornal Scotsman: “As crianças são muito ingênuas. Tenho um menino de cinco anos que é louco por essas tartarugas. Quando vou pegá-lo na escola, as crianças no pátio de recreio estão todas tentando dar pontapés umas nas outras.”
A preocupação de pais e professores é compartilhada, surpreendente como pareça, por alguns proprietários de lojas de brinquedos. Uma loja na Grã-Bretanha anunciou que não mais venderia as tartarugas guerreiras por temer que as crianças “aterrorizassem umas às outras com golpes de caratê e corressem risco de vida por se esconderem em esgotos”. Há outros perigos?
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