sábado, 22 de maio de 2010

Impacto social




O cinema tem sido chamado de espelho da sociedade. De fato, muitos filmes nos anos 70 refletiam a “inquietação, o descontentamento, a desilusão, a ansiedade e a paranóia” da época, como se pode ver no reavivamento de filmes de terror e no “fascínio sem precedentes pelo satanismo e pelo ocultismo”. Filmes de desastres serviam para “desviar a atenção dos desastres da vida real”. (World Cinema—A Short History [Breve História do Cinema Mundial]) Por outro lado, a década de 80 trouxe o que um jornalista francês chamou de “tentativa deliberada de normalizar a perversão”. Dos filmes apresentados no Festival de Cannes em 1983, metade tinha por tema o homossexualismo ou o incesto. A violência se tornou o leitmotiv, ou tema insistente, dos filmes da atualidade. Em 1992, 66% dos filmes de Hollywood tinham cenas de violência. E enquanto a violência no passado geralmente tinha um objetivo, ela agora é gratuita.

Qual tem sido o efeito de tal exposição? Em outubro de 1994, quando um casal jovem sem antecedentes criminais criou um alvoroço ao chacinar quatro pessoas, em Paris, descobriu-se que tinham sido influenciados pelo filme Natural Born Killers, em que um casal mata 52 pessoas. Cada vez mais, os sociólogos estão expressando preocupação com respeito à influência que a violência exerce, especialmente nos jovens, para quem tais imagens servem como padrões de comportamento. Naturalmente, nem todos os filmes glorificam a violência ou a imoralidade. Filmes recentes como O Rei Leão quebraram todos os recordes anteriores de bilheteria.

Quando o jornal Le Monde, de Paris, perguntou como o cinema marcou a sociedade nos últimos 100 anos, um famoso produtor e ator respondeu que o cinema, apesar de ter “glorificado a guerra, romantizado os gângsteres, oferecido soluções simplistas e lugares-comuns, criado falsas expectativas, promovido a adoração de riquezas, posses e beleza física insípida, e uma porção de outros alvos irrealísticos e sem valor”, proporcionou a milhões um escape bem-vindo das duras realidades do dia-a-dia.

Ainda hoje, quando as luzes se apagam e o filme começa, podemos sentir, às vezes, a magia que tanto encantou as pessoas há mais de 100 anos.

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